A obra Dom Casmurro  

 

 

I- Introdução

 

    Dom Casmurro foi escrito em 1889 e publicado em 1900, é um dos romances mais conhecidos do nosso ilustre Machado de Assis. Narra em primeira pessoa a história de Bentinho, que se deixou levar pelo seu ciúme, acreditando apenas em suas próprias suposições. E por várias circunstâncias, vai se fechando em si mesmo e passa a ser conhecido como Dom Casmurro. Todo o romance gira em torno de uma pergunta: Capitu traiu ou não o Bentinho?  

    A genialidade dessa obra está na dúvida. Quem começa a ler o livro com suas certezas formadas, já começa errado. Ainda mais interessante é que a interpretação da leitura de Dom Casmurro é a própria interpretação da cultura brasileira à época em que foi feita.

 

 II - Resumo 

     A obra é narrada em primeira pessoa, e começa com Bento Santiago (Bentinho) o seu narrador-personagem explicando o porquê de ter sido apelidado de Dom Casmurro. O Casmurro é porque o povo o achava um homem calado, recluso e metido consigo. E Dom veio por ironia para atribuir-lhe o brilho da nobreza.

 

 

 

 

    Bentinho é órfão de pai, mas foi criado com muito amor por sua mãe D. Glória, seu tio Cosme, sua tia Justina, e José Dias que era um agregado, mas era tratado como se fosse da família. Todos residem em Matacavalos. Bentinho fora destinado ao seminário devido uma antiga promessa que sua mãe havia feito por ter perdido o seu primeiro filho, D. Glória prometeu para Deus que se lhe abençoasse com um filho vivo, esse iria para o seminário quando fosse o tempo e se tornaria padre. Ao completar seus quinze anos foi lembrada a sua mãe a promessa que fizera e que já era tempo de cumpri-la. 

 

 

 

   Bento sabendo da sua partida próxima para o seminário foi ter com sua amiga, Capitu. Os dois eram amigos de infância e dessa amizade nasceu um amor. Ele lhe contou sobre a promessa e os dois desde já começaram a lutar buscando formas de evitar a separação que viria. Decidiram então pedir que José Dias os ajudasse.

 

         

    Certo dia ao visitar Capitu, Bentinho lhe penteou os cabelos, ao terminar acabaram se beijando. O romance deles ia crescendo e tomando forças, e a ida ao seminário trazia o medo da separação, em uma tarde então juraram um ao outro que se casariam. 

 

  Um novo ano chegou e Bentinho foi para o seminário, mesmo a sua própria mãe não querendo essa separação. Lá ele fez um amigo, Escobar, foi o único com quem cogitou contar a jura feita à Capitu, mas essa não lhe permitiu. Sempre aos sábados ele retornava a sua casa onde revia seus familiares e Capitu. 

 

 


     D. Glória e Capitu se aproximavam e isso alegrava Bentinho que via a aprovação de sua mãe.  E Escobar logo passou a frequentar a casa dele e toda a família o aprovou. Era agora amigo de Capitu também. Sendo assim, estando os dois no seminário trocaram segredos, Bento lhe contou sobre o seu juramento, e Escobar lhe contou que também não seria padre, pois amava o comércio. 

    Em uma das visitas, Bentinho teve por Capitu um acesso de ciúme acreditando que ela lhe traia apenas por olhar com um rapaz que passava na rua. Capitu lhe disse que por mais uma dessas lhe rompia o juramento.

 

 

 

 

     A essa altura D. Glória queria que Bento voltasse. Muitos planos para o abandono da promessa vieram, por fim ela tomou um órfão e esse foi encaminhado ao seminário, Bentinho aos vinte e dois anos era bacharel em Direito. Como tinha a aprovação da mãe casou-se com Capitu e foram pra Tijuca. 

 

 

 

 

    Escobar havia casado com Sancha, uma grande amiga de Capitu, sendo assim se alternavam entre jantares na Tijuca e no Flamengo. Escobar logo foi pai de uma menina, mas a Bento não vinha essa benção.

 

 

 

   A   Até que esse foi pai de um filho único, Ezequiel. O tempo passava o menino crescia e tinha mania de imitar os outros, mania que tentavam lhe tirar, mas sem sucesso. 

 


               Escobar morreu afogado, e durante seu velório Bentinho notou em Capitu um sentimento diferente embora ela não tenha chorado.

 

 

      No dia seguinte ao da morte do amigo, Bentinho, ao olhar para uma fotografia do falecido, notou certa semelhança entre ele e seu filho. Desde então surgem fatos, situações e lembranças que o conduzem ao adultério da esposa. Teria, Capitu, enganado Dom Casmurro?  Será que a esposa o havia traído com o seu melhor amigo?

 

 

      Ezequiel ia crescendo e nele se via Escobar rapaz. Bento via no filho o jeito de andar, rir, conversar, comer do amigo morto.

    O ciúme e a dúvida acerca de uma traição que se comprovava na igualdade de Ezequiel com Escobar pôs fim na família Santiago, Pois Bento se mantinha longe e recluso, Ezequiel acabou indo para um colégio de onde só voltava aos sábados. E era nos dias de sua volta que Bento fugia de casa, ver o filho era comprovar a traição que sofrera.

 

 

   Bentinho não conseguiu expor claramente suas idéias para Capitu, não houve uma conversa muito clara entre o casal e Capitu por sua vez disse que a semelhança do menino com Escobar era casualidade do destino, mas mesmo assim decidiram partir para uma separação amigável, mantendo as aparências.

 


 

    Bento já atordoado resolve suicidar-se, tentou, mas abandonou o plano. Por fim foram para Europa de onde apenas ele regressou, vivia então só, e às vezes viajava até a Europa apenas como disfarce ao povo que lhe perguntava sobre a mulher e o filho, quando ia lá não os procurava. As correspondências que trocava com Capitu eram breves e secas, já as dela não. 

 

 

        Sua mãe, tio Cosme, José Dias todos se foram. Este último antes de ver o regresso de Ezequiel. Ele voltou, Capitu havia morrido e estava enterrada nas terras da Suíça. Ver Ezequiel era ver Escobar, no jeito de rir, comer, falar, andar, em tudo. 

    Mesmo assim Bento fez o” papel de pai”, financiou lhe uma viagem à Grécia, Egito e Palestina, pois Ezequiel amava a arqueologia. Ao fim, Ezequiel morreu de febre tifóide, foi enterrado em Jerusalém com as palavras “tu eras perfeito nos teus caminhos”.

 

        O narrador-personagem apresenta uma série de provas, e também contraprovas como o fato de Capitu ser tão parecida com a mãe de Sancha sem haver parentesco algum entre elas. Nenhuma das provas do adultério de Capitu encontradas por D. Casmurro foram comprovadas.

 

 

    Mortos todos os familiares e velhos conhecidos, D. Casmurro, em sua vida fechada, ainda podia se consolar com algumas amigas, mas jamais se esqueceu do grande amor que o havia traído com seu maior amigo. Será que o havia traído mesmo?

  A narrativa de seu livro se mostra eficaz ao tentar atar duas pontas de sua vida: a adolescência com a velhice. E Dom Casmurro apenas conclui que sua maior amiga e seu melhor amigo foram unidos pelo destino e enganaram-no.

 

 

 Fontes: http://vestibular.brasilescola.com/resumos-de-livros/dom-casmurro.htm

http://www.coladaweb.com/resumos/dom-casmurro-machado-de-assis

 

 

Se você ficou interessado, agora é só ler toda a obra acessando: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv00180a.pdf