Iracema X Século 21

 

   No começo do século XIX, o Brasil torna-se um país independente, com grande necessidade de afirmar sua identidade e criar sua própria cultura baseada em suas raízes.

   Impulsionado com a era romântica, José de Alencar escreveu vários romances indianista, nelas tentando adaptar o nativismo e o nacionalismo. Com a independência, sugeria-se a busca de heróis e heroínas, ajudando a criar a identidade cultural. Neste momento que nasce na literatura, Iracema, a “virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira...”.     

 

 

   O romance de Iracema é feito na tentativa de criar uma lenda para a origem do Ceará, já que Moacir, filho de Iracema e Martim, é considerado por Alencar, na sua obra, o primeiro habitante de Ceará. Desde o começo da obra percebemos a transformação dos cavalheiros medievais – que na Europa são vistos como símbolos e elementos formadores da nacionalidade, originaria da Idade Media, período o qual o Brasil não passou – em índios.

   Este símbolo de identidade criado por Alencar, a heroína é idealizada, virgem, perfeita, com as melhores qualidades, torna Iracema como símbolo da natureza com imagem de perfeição, beleza e pureza, e digna apenas de um deus que nesta situação é Martim, português. Como Iracema (símbolo da terra brasileira, virgem e exótica), se entrega a Martim (colonizador), acaba por ser destruída (sofre a aculturação). Concluindo – se, que para Alencar a invasão da terra brasileira foi por permissão dos índios.

 

 

 

   Atualmente, para alguns escritores e pensadores, dizem que os portugueses se aproveitaram da fragilidade dos índios para a dominação e a destruição do povo indígena. De acordo com os dados da FUNAI e da ISA, estima-se que, quando os primeiros portugueses aportaram no território brasileiro, tenham vivido entre 1 milhão a 10 milhões de índios. Em 2007, de acordo com a FUNAI, o número é de 460 mil índios, sem contar as cercas de 70 tribos isoladas. A colonização européia contribuiu muito para a redução da população indígena.

 

 

   Hoje, a visão do índio do século XXI, não é a mesma de Alencar, a qual descrevia o índio como herói idealizado, perfeito. Pensando em um índio, imaginamos um ser selvagem, que vive apenas da pesca e da agricultura, andando sem roupas, isolados na mata, dentro de uma grande reserva, longe da civilização. Ao contrario deste pensamento, o índio é como outro ser humano qualquer, que cada vez mais esta inserido na realidade tecnológicas e na sociedade, não vive mais isolado em suas aldeias. Sofrem com a destruição de suas reservas que não são tão extensas.

 

   *FUNAI (Fundação Nacional do Índio)

   *ISA (Instituto Sócio Ambiental)

 

Fonte:  Atlas, National Geographic; Editora Abril Coleções, vol.2, pág.28-29

            http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/os_indios.htm